Empresário piauiense acusa hotel no Ceará de negligência após intoxicação alimentar dos filhos
O hotel informou que possui todas as licenças vigentes e que segue rigorosamente o Manual de Boas Práticas, abrangendo desde a atuação da equipe de manipuladores até o armazenamento.
O empresário piauiense Cláudio Neiva levou a família de 9 a 12 de janeiro para aproveitar momentos de lazer e diversão no resort paradisíaco Parque das Fontes, localizado no município de Beberibe no Ceará. No entanto, o que era para ser uma estadia agradável, alegre e com memórias afetivas, se transformou em angústia, indignação e desrespeito para com seus familiares.
O piauiense relatou ao Viagora que ele e os dois filhos sofreram um quadro de intoxicação alimentar durante a permanência no resort e que, mesmo diante da gravidade da situação, não recebeu qualquer tipo de apoio por parte da administração do hotel.

Segundo o empresário, a família composta por ele, sua esposa e dois filhos se hospedaram no estabelecimento na sexta-feira (9) com previsão de saída na segunda-feira (12), mas enfrentou uma série de transtornos ao longo da estadia.
Conforme o denunciante, ele passou praticamente todo o sábado debilitado dentro do quarto e que, no domingo, os filhos de 6 e 10 anos começaram a apresentar os mesmos sintomas. “Nós nos hospedamos lá na sexta e saímos na segunda-feira. Só que tivemos um problema de intoxicação alimentar dentro do resort. Eu passei o sábado dentro do quarto, passando mal. No domingo, as crianças passaram mal, e eu solicitei apoio do hotel. O hotel não me deu nenhum tipo de apoio”, declarou o piauiense.
Cláudio explica que diante do agravamento do quadro de saúde dos filhos, precisou sair do resort durante a noite para levá-los ao hospital onde as crianças receberam medicação e soro. “Eu não podia sair do hotel com as crianças, por conta da situação delas, com vômito e diarreia. E ninguém da gerência nos procurou. A única coisa que eles me deram foi um papel lá, dizendo os acréscimos em porcentagem, de acordo com as horas que eu ultrapassasse o horário do checkout”, afirmou.
Segundo o piauiense, as refeições consumidas pela família foram fornecidas pelo próprio resort, já que o pacote contratado era do tipo all-inclusive. “Era com tudo incluso. Café, almoço, janta, bebidas e comida, era tudo incluso já no pacote e consumimos”, reforçou.
O empresário também relatou dificuldade para falar com a gerência do hotel. “Eu liguei para a recepção e relatei o que estava acontecendo com as crianças, mas não obtive resposta. A única resposta foi que eu obtive foi que check-out teria que ser feito no outro dia, porque talvez não houvesse disponibilidade para permanecer no resort”, disse o piauiense.
Cláudio também teceu críticas a postura do hotel diante da situação que sua família enfrentava nas dependências do estabelecimento. “O que eu esperava da direção do hotel era que eles não fossem tão negligentes. Você imagina fazer um percurso de 700 quilômetros com uma criança de seis anos passando mal, vomitando dentro do carro, tendo que parar no caminho para dar banho nas crianças”, desabafou.
Proprietário de um hotel em Paulistana, no Piauí, o empresário comparou a conduta do resort com a que teria em seu próprio estabelecimento. “Eu tenho um CNPJ há 15 anos. Jamais tiraria uma criança do hotel numa situação dessa, como eles fizeram lá”, afirmou indignado.
Claúdio explica que mesmo debilitadas, as crianças retornaram com ele para o Piauí na segunda-feira, em uma viagem que durou cerca de 12 horas. “Eu retornei com as crianças dentro do carro, do jeito que elas estavam. Demorou para chegar em casa, mas eu saí de lá de manhã, por volta das 10 horas, e cheguei ao Piauí por volta das 22h horas, 12 horas de viagem”, relatou.
O empresário informou ainda que já acionou um advogado sobre o caso. “Já acionei um advogado, já entreguei a papelada lá da internação das crianças, com as receitas, com o atestado que a médica passou para as crianças ficarem três dias em repouso e em observação”, disse.
Segundo ele, a denúncia em face do hotel envolve tanto a suspeita de intoxicação alimentar quanto a conduta do resort. “Estou denunciando a intoxicação e a negligência no atendimento, a falta de apoio ao hóspede, que tá dentro das dependências dele e não ter qualquer tipo de ajuda numa situação dessa”, concluiu.
Outro lado
O Viagora procurou o hotel para falar sobre o assunto e o estabelecimento emitiu uma nota de esclarecimento sobre o caso. Confira abaixo a nota na íntegra:
POSICIONAMENTO OFICIAL – HOTEL PARQUE DAS FONTES
Cumpre esclarecer inicialmente que o Hotel Parque das Fontes é uma empresa séria, com larga experiência no mercado hoteleiro, atuando há mais de 35 (trinta e cinco) anos no setor e, há mais de 05 (cinco) anos operando no sistema All Inclusive, sempre de forma responsável, ética e em estrita observância às normas consumeristas, sanitárias e regulatórias aplicáveis.
Em razão desse histórico, o hotel mantém compromisso permanente com a segurança, qualidade dos alimentos e dos serviços prestados, visando à plena satisfação, segurança e bem-estar de seus hóspedes.
Para tanto, adota um efetivo Programa de Segurança Alimentar, conduzido e supervisionado por Engenheiro de Alimentos e nutricionistas, com rígidos controles operacionais e sanitários.
Como reconhecimento desse compromisso, temos 18 Selos de Qualidade Sebrae e hoje estamos enquadrados na categoria máxima, Diamante. O Selo de Qualidade e Serviços do SEBRAE, premiação destinada a empresas que atuam no segmento de serviços e alimentação fora do lar, distinção conferida apenas a empreendimentos que atendem a elevados padrões técnicos e sanitários.
O hotel possui todas as licenças sanitárias e ambientais vigentes. Em relação aos protocolos de Segurança Alimentar, seguimos a legislação vigente (RDC 216) aplicando suas diretrizes. Acompanhamento periódico da potabillidade da água, através das análises microbiológicas e físico química, controle integrado de pragas, treinamento com colaboradores sobre Boas Práticas de Manipulação, rigorosidade no processo de higienização, controle de temperatura entre outros pontos necessários para a Segurança dos Alimentos.
Ademais, segue rigorosamente o Manual de Boas Práticas, abrangendo desde a atuação da equipe de manipuladores até o armazenamento, preparo e disposição dos alimentos aos consumidores, assegurando as adequadas condições higiênico-sanitárias.
Sobre o caso do Sr. Cláudio Neiva por força contratual e de lei (LGPD), podemos afirmar que:
Ao tomarmos conhecimento do caso a recepcionista ofereceu ajuda e perguntou se desejava ir ao hospital, inclusive auxiliando e acompanhando hóspedes até unidade hospitalar, garantindo toda a assistência necessária, especialmente às crianças envolvidas.
Posteriormente, o hotel manteve contato para acompanhamento do estado de saúde dos hóspedes e entender o ocorrido.
Não foi possível identificar, até o presente momento, qualquer elemento concreto que indique relação causal entre os alimentos servidos e os sintomas relatados, inexistindo comprovação de falhas na apresentação, armazenamento ou preparo dos alimentos ofertados no sistema All Inclusive.
Esclarecimentos sobre o atendimento ao hóspede mencionado após a saída do hotel.
Assim, os procedimentos adotados foram:
• A nutricionista do hotel entrou em contato para compreender detalhadamente os alimentos consumidos, dando início à averiguação técnica;
• A gestão de relacionamento realizou contato telefônico com cliente para melhor entendimento da situação e saber como poderia ajudar.
• Ainda assim, hotel permanece em contato, de forma respeitosa, atenta e cordial, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Todas essas medidas refletem a postura institucional do hotel de manter bom relacionamento com seus clientes, sem que isso represente reconhecimento de falha ou responsabilidade.
Respostas objetivas aos questionamentos apresentados
1. Alegações de negligência
O hotel não reconhece qualquer conduta negligente. As providências cabíveis foram adotadas de forma imediata e responsável, inclusive com acompanhamento posterior dos hóspedes envolvidos.
2. Protocolos de segurança alimentar
São adotados protocolos rigorosos de segurança alimentar, com controle de insumos, temperatura, manipulação, armazenamento, auditorias internas e treinamentos periódicos, todos em conformidade com as normas da Vigilância Sanitária.
3. Apuração interna
A investigação está sendo realizada de forma ampla, analisando todos os possíveis fatores, incluindo aspectos sanitários, alimentares, hipóteses de viroses e eventuais transmissões, inclusive os surtos recorrentes e amplamente noticiados de viroses, gripes, influenza e quadros gastrointestinais em diversas regiões do país, especialmente no estado do Piauí. Não se pode descartar que os sintomas tenham decorrido de fatores alheios ao hotel, como doenças em circulação, hipótese que está sendo considerada no processo de apuração.
4. Suporte aos hóspedes
O hotel dispõe de protocolo específico para atendimento e acompanhamento de hóspedes que relatem qualquer intercorrência de saúde, o qual foi devidamente observado no caso.
Considerações finais
O Hotel Parque das Fontes reafirma que qualquer afirmação ou indução de que o estabelecimento não cumpriu com suas responsabilidades carece de respaldo técnico e fático.
Dessa forma, eventual divulgação de conteúdo jornalístico que, de forma explícita ou implícita, induza o público a concluir pela responsabilidade do hotel ou pela existência de intoxicação alimentar, sem provas técnicas conclusivas, poderá ensejar a adoção das medidas cabíveis, inclusive judiciais, visando à reparação por eventuais danos decorrentes de informação incorreta ou indução indevida dos telespectadores e leitores.
O hotel permanece à disposição para prestar novos esclarecimentos.
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