Cadeirante denuncia paralisação do Transporte Eficiente de Teresina e pede providências
Lucilene Mendes afirma que o serviço está suspenso há quase uma semana e tem prejudicado deslocamentos para consultas médicas e faculdade
A cadeirante Lucilene Mendes, usuária do programa Transporte Eficiente da Prefeitura de Teresina, relatou ao Viagora que o serviço está paralisado por falta de pagamentos aos motoristas. Morando no bairro Nova Teresina, na zona Leste, ela informou que os veículos estão sem circular há cerca de seis dias, o que tem afetado diretamente a rotina de quem depende do transporte adaptado e causado vários transtornos.
Lucilene explica que utiliza o serviço há cerca de um ano e depende dele principalmente para ir a consultas médicas e à faculdade. Segundo ela, a paralisação ocorreu porque os motoristas não estariam recebendo os repasses há vários meses.

“Eu uso o transporte eficiente e hoje está com seis dias que nós estamos sem o transporte, por falta de pagamento, porque a Strans não repassou o pagamento para os motoristas. Eles já vão fazer cinco meses que não recebem”, afirmou.
De acordo com a usuária do transporte, os motoristas decidiram suspender as atividades diante da falta de pagamento. Mesmo assim, o sistema de agendamento continuou funcionando, o que teria causado ainda mais confusão entre os usuários.
“A gente faz o agendamento pela Strans. Antes de ontem eu liguei e eles ainda estavam agendando. Eu perguntei como era possível, porque a pessoa agenda e fica esperando o ônibus. Se eu não tivesse o telefone do motorista, eu ia ficar sem saber”, relatou.
Ela afirma que só descobriu a paralisação após entrar em contato diretamente com o motorista responsável pela região onde mora.
“Foi ele que me disse que os ônibus estavam parados há quatro dias por motivo de pagamento. Quando liguei para a Strans, a moça que faz o agendamento confirmou que realmente não estava tendo o transporte, mas disse que não sabia quando ia voltar”, disse.
O Transporte Eficiente funciona por meio de agendamento prévio. Cada usuário possui um código cadastrado e precisa ligar para solicitar o deslocamento até consultas, atividades educacionais ou outros compromissos.
Segundo ela, a falta do serviço tem causado impactos principalmente no acesso à saúde e à educação. Ela conta que está sem frequentar a faculdade por conta da dificuldade de utilizar o transporte coletivo convencional.
“Eu tô sem ir para a faculdade por causa disso. Para chegar lá, na Dom Severino, eu tenho que pegar dois coletivos e sair de casa cinco e meia da manhã. Como eu sou cadeirante, eu não posso passar mais de cinco horas sentada na cadeira. Começa a doer as costas, o corpo incha e eu passo mal”, relatou.
Lucilene também destacou que muitos ônibus do transporte público não possuem rampas funcionando, o que dificulta ainda mais o deslocamento de pessoas com deficiência.
“Teve um dia que saí do Lineu Araújo às três horas da tarde e fiquei na parada até sete da noite, porque os ônibus do Nova Teresina estavam todos com a rampa quebrada. Só veio um às seis e cinquenta e nove que estava funcionando”, contou.
A cadeirante afirma ainda que a frota do Transporte Eficiente é limitada e que na zona Leste da capital existe apenas um veículo disponível para atender os usuários cadastrados.“Eu sei que aqui na zona Leste só existe um transporte. Em outras zonas tem dois, mas aqui é só um, e ele ainda precisa passar pegando várias pessoas antes de chegar no destino”, disse.
Diante da situação, Lucilene cobra uma solução para o problema e afirma que o serviço é essencial para garantir o direito de mobilidade das pessoas com deficiência na capital.
Outro lado
A reportagem procurou a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) para falar sobre o assunto, mas até o fechamento da reportagem não obtivemos resposta.
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